Período Feudal (02)

ll - Chineses e Bárbaros

1.° - A Confederação chinesa - Entre cur-
sos de água caudolosos que mudavam de direção,
entulhando seu leito e se espalhando pelas planí-
cies nas terras altas que emergiam dos pântanos,
nos planaltos cujas encostas dominavam bacias
inundadas, elevava-se, antigamente, um arquipé-
lago de pequenos Estados feudais. Seu número
era enorme (dez mil, dizem), na época em que Yu,
o Grande (? 2198) convidou os senhores para lhe
prestar homenagem. Em 489 antes de nossa era,
só havia algumas dezenas (123). No período que se
estende do século VIII ao III, as pequenas circuns-
crições aglomeraram-se, formando Estados pode-
rosos. Sem dúvida, o movimento de concentração
política começara depois de longos séculos.
No início da época Tch'ouen ts'ieou, a uni-
dade chinesa já se havia esboçado numa forma
federal. A expressão que devia, mais tarde signi-
ficar simplesmente a China tinha, então, o senti-
do de Confederação chinesa (Tchong kouo). Esta
confederação reunia domínios de importância di-
versa, os quais se sentiam aliados, menos pela
força das relações políticas do que por uma certa
comunidade de civilização. Este agrupamento pa-
recia repousar em vínculos genealógicos, -impli-
cando a identidade do nome de família, ou numa
política tradicional de casamentos. Embora as re-
lações deste gênero sejam sempre apresentadas
como existentes desde tempos imemoriais, sen-
te-se uma diferença entre as expressões Tchong
kouo e Chang kouo. Com elas designam-se os
domínios (Kouo) que eram antigamente (chang)
confedérados e que possuíam, por isto, uma es-
pécie de superioridade (chang). A casa de Wou
(Kiang-su) é tida como originária dos mesmos an-
cestrais da casa real dos Tcheou; mas Wou é um
domínio afastado, e um de seus embaixadores(124)
chama de Domínios superiores (Chang kouo) os
domínios centrais (Tchoung kouo) que visita. Ele
qualifica de hia - é o nome da primeira dinastia,
mas essa palavra tem o valor de civilizada(125) -
a música que ali se toca. A expressão Tchou hia
(os Hia), antes de significar os Chineses, teve o
sentido preciso de Chang kouo. Um equivalente
de Hia é Houa (flor): a expressão Tchong houa,
a Flor central, acabará sendo aplicada para toda a
China. Falando no nome de Lou, do qual os prín-
cipes se orgulhavam de descender, de Tcheou-
kong, irmão do fundador dos Tcheou, Confúcio,
em 500, assinala, com as palavras Hia e Houa, a
superioridade moral de sua província sobre o po-
deroso domínio de T'si, que fazia parte do Tchong
kouo, mas que tocava em regiões bárbaras(126).
Os Estados que se vangloriavam de ter civiliza-
ções antigas eram os de Ho-nan (mais precisa-
mente de Ho-nan setentrional). Os outros, em seu
redor, passavam por ter uma civilização menos
pura.

Os principais Estados do centro eram, com
o Estado real dos Tcheou, o domínio de Wei, que
ocupava as antigas terras dos Yin, e o de Song,
cujos príncipes descendiam dos Yin. É preciso
acrescentar também o Estado de Tcheng, embora
sua fundação fosse considerada recente, e - para
respeitar as tradições chinesas - o Estado de
Lou, um pouco afastado, em Chan-tong. Os prín-
cipes de Lou e de Tcheng, como os de Wei, liga-
vam-se à família real. Em redor, achavam-se os
Estados mais poderosos: Ts'i, a noroeste de T'ai
chan, estendia-se na planície de Tche-li; Tsin
ocupava o sul de Chan-si; Ts'in possuía os vales
do Wei e do Lo (Chen-si), que, segundo dizem,
foram as primeiras terras dos Tcheou; a bacia do
Han até o rio Azul (Hou-pei) pertencia a Tch'ou.
Mais afastado, nas embocaduras do rio Azul e
atingindo a bacia do Houai, achava-se o principa-
do de Wou, e mais ao sul ainda, indo do mar ao
lago Po-yang, o de Yue. Ao norte, muito distante,
e. em contato apenas com Ts'i e Tsin, o Estado de
Yen ocupava o Tche-li setentrional. Mais além, fi-
cavam os países bárbaros: ao sul e a leste; os
Man e os Yi; a oeste e a norte, os Jong e os Ti,
nomes genéricos, sem valor preciso.

Segundo a teoria tradicional, os Bárbaros
formavam, nos confins da China, os Quatro Ma-
res: o Interior dos Mares era o país realmente
chinês. Na verdade, os Bárbaros intervêm cons-
tantemente e desempenham um papel decisivo na
história dos domínios mais centrais.

2.° - As regiões do centro - A tradição
pretende que, para estabelecer seu poder, os
Tcheou se apoiaram nos Ti, com os quais seus
ancestrais teriam vivido. Diz ainda que os Yin ten-
taram reconquistar seu trono com a ajuda dos Yi
do Houai(127). O Che king exalta os feitos do rei
Siuan (827-782) contra os Bárbaros do Houai (128).
Foi, segundo dizem, sob a pressão dos Ti que os
Tcheou abandonaram Chen-si (região de Si-ngan)
para se estabelecer a leste, nas margens do Lo,
em Ho-nan (sob o rei P'ing, 770-720)(129). O Lo
corre num vale fechado, no centro do país chinês.
Os reis Tcheou, entretanto, em sua nova residên-
cia, não ficaram ao abrigo dos Bárbaros. Em 636,
o rei Siang, que se tinha casado com uma prin-
cesa Ti, foi expulso de sua capital pelos Ti (130).
Do século VIII ao VI, não há ano, por assim
dizer, em que os Bárbaros não ataquem alguma
cidade dos domínios centrais. Em 715, os Jong
raptam em pleno Ho-nan um embaixador real(131).
Em 659, é preciso lutar contra os Jong Chiens,
nas margens do Wei e, no mesmo ano, outros
bárbaros, os Ti, aparecem no curso médio do rio
Amarelo, perto da lagoa de Hiong(132). Eles derro-
tam o exército do príncipe de Wei e tomam sua
cidade(133). Setecentas e trinta pessoas escapam
com dificuldade; em todo o principado só restam
cinco mil sobreviventes. Em 649, os Ti destroem
um pequeno Estado vizinho de Wei. Em 648, os
Jong e os Ti Vermelhos assaltam a cidade real,
queimando sua porta oriental(134). Em 648, os Ti
reaparecem no Estado de Wei e, no ano seguinte,
Tcheng é atacado por eles (135). Em 643, os Jong
operam no domínio real, enquanto que Tcheng é
invadido pelos Ti do Houai(136). Em 638, os Ti es-
tão de novo em Wei e, três anos depois, em
Tcheng. Eles ameaçam, em 619, as fronteiras oci-
dentais de Lou. Eles invadem Song, em 616, e
Wei, em 613 (137).

Ora, esses Bárbaros, que se mostram con-
tinuamente em todos os lugares da China central,
não são cavaleiros procedendo a bruscos ataques.
Eles combatem a pé os Chineses, que usam car-
ros, como esses Jong do norte que atacam
Tcheng, em 713, e esses Ti, enfrentados por Tsin,
em 540, em Chan-si central (138). Esses últimos
por exemplo, viviam em pântanos. Sem dúvida,
quando surgiam bruscamente, não vinham de mui-
to longe. Se os bárbaros dos Quatro Mares po-
diam intervir com tanta facilidade nos domínios
centrais, foi, aparentemente, porque conheciam
caminhos adequados para marchas de surpresa,
ao longo dos pântanos e dos bosques; foi, tam-
bém, porque encontravam auxílio ou pontos de
apoio nos agrupamentos ocupados por popula-
ções selvagens nas zonas incultas, isolando, co-
mo várias ilhotas, os domínios empoleirados nos
rebordos dos planaltos e nas colinas.

Esses agrupamentos, no centro da China,
eram numerosos. Em 720, vê-se um príncipe de
Lou (139) renovar uma aliança concluída por seu
pai com os Jong que habitavam a região panta-
nosa, separando Ho-nan de Chan-tong, nos limites
do pequeno domínio de Ts'ao. Em 669, Ts'ao foi
atacado por Bárbaros Jong. Lou ataca os Jong em
667 (140). Em 643, os Jong cometem crimes no do-
mínio real: não se sabe de onde eles vinham(141).
Mas quando, em 648, atacaram o rei, os Ti foram
auxiliados pelos Jong de Yang-kiu: estes estavam
estabelecidos na região de Lo-yang, nas cercanias
da capital (142). Em 637, os Jong de Lou-houen,
agrupados no alto vale do Yi, afluente do rio de
Lo-yang, dão trabalho aos príncipes de Ts'in e de
Tsin; em 605, são atacados pelo príncipe de
Tch'ou: é porque eles são senhores de uma re-
gião de gargantas e de passagens entre os afluen-
tes do Lo e os vales altos dos tributários do
Han(143). A oeste, encontram-se os Jong Man que
ocupam as extremidades dos vales que descem
para o Houai. A leste, perto da montanha santa
do Centro (Song chan) acham-se outros Bárbaros,
os Yin-jong; eles atacam a capital em 532(144). Em
618, Lou faz um tratado com os Lo-jong; esses
habitavam entre Yi e Lo, mais perto ainda da ca-
pital (145). Cercados ao sul por diversas tribos
Jong, os reis Tcheou, ao norte de seu domínio,
enfrentavam ainda outros Bárbaros, os Mao-jong,
que os derrotaram, em 598 (146); estes habitavam
as regiões baixas de Chan-si meridional. Os Qua-
tro Mares dos Bárbaros, por mais longe que seja
preciso procurá-los nas fronteiras ideais da Chi-
na, chegavam às portas da cidade real.

3.° - As regiões da periferia - Como o
domínio dos Tcheou, os Estados feudais eram
bastiões cercados por agrupamentos bárbaros.
Tomemos, como exemplo, o Estado de
Tsin, destinado a uma grande ventura e que tal-
vez tivesse realizado a unidade chinesa se não se
fragmentasse, em 376, em três principados ri-
vais; Tchao, Han e Wei (os três Tsin). No início
do período Tch'ouen ts'ieou, o domínio de Tsin
ocupa, no baixo Chan-si, uma faixa estreita e alta,
a leste do rio Amarelo, na região do Fen. Domi-
nava, ao sul, as terras baixas cobertas em grande
parte por águas estagnadas (pântanos de Tong e
de Kong) que se estendem entre o rio e o curso
leste-oeste do Fen. Lá havia um verdadeiro mata-
gal habitado por raposas e por lobos(147). Os Jong
(Kiang-jong, Jong de Koua tcheou) ali pululavam,
em relação com os Li-jong que, além do rio, habi-
tavam os bosques ao sul do Wei, na beira da re-
gião de Ts'in. Os príncipes de Tsin aliaram-se a
esses Jong desde a metade do século VII: o du-
que Hien teve por mulher uma Li-jong e, em 626,
os Kiang-jong ajudaram Tsin numa guerra contra
o Estado rival de Ts'in(148). Em 557, esses mesmos
Jong conservavam poder e autonomia suficientes
para que seu chefe pudesse obrigar o senhor de
Tsin a deixá-lo assistir a uma assembléia da Con-
federação chinesa(149). A leste, a este e ao norte,
Tsin achava-se cercado pelos Ti. O duque Hien
(676-651), que foi o primeiro a aumentar as fron-
teiras de Tsin, antes de se casar com uma mulher
Li-jong, desposara uma mulher Ti. Ela foi a mãe
do duque Wen, o grande Hegemon; seu irmão,
Tchao Tch'ouei, foi seu principal conselheiro.
Tchao Tch'ouei é ancestral dos senhores de
Tchao, o mais importante dos Estados saídos de
Tsin(150). A irmã de Tchao Tch'ouei, mãe do duque
Wen, era uma Ti, ou mais exatamente, uma Ti
Hou ou Ti Jong. Parece que os Ti Jong (Jong-ti)
não são outros senão os Grandes Jong (os nomes
dados aos Bárbaros têm, como se vê, um valor
indeterminado) que residiam no norte de Chen-si,
no oeste e no norte de Chan-si: eles eram os se-
nhores do curso do rio, acima dos desfiladeiros
de Long-men, e separavam Tsin do Estado que foi
seu rival vitorioso, o Estado de Ts'in. Ao norte, os
Ti ocupavam, com a bacia do T'ai-yuang, as partes
altas de Chan-si e comandavam os desfiladeiros
que conduzem às planícies de Tche-li. Eles isola-
vam Tsin e Yen. A sudeste, na região dos mon-
tes T'ai-hang, residiam as mais poderosas das tri-
bos Ti, os Ti Vermelhos, que pretendiam dominar
os outros, os Ti Brancos(151). Os Ti Vermelhos se-
paravam Tsin dos domínios de Wei e de Ts'i. O
duque Wen e Tchao Tch'ouei tiveram, entre suas
mulheres, uma Ti Vermelha, da tribo dos Tsiang-
kao-jou (152).

Graças a alianças com as tribos bárbaras
que o cercavam, Tsin conseguiu entrar em conta-
to com os outros domínios. Seu esforço parece
ter-se dirigido, inicialmente, para o sul. Na pri-
meira metade do século VII, o duque Hien, aliado
aos Jong, apoderou-se dos pequenos domínios de
Kouo e de Yu (654), situados na embocadura do
rio, nas fronteiras das terras reais (153). Desde
então, sua influência se exerceu sobre todo o cur-
so médio do rio Amarelo até Ho-nei (a parte de
Ho-nan situada ao norte de Houang-ho). Deste
lado, o contato com o Estado de Wei tornou-se
íntimo quando o duque Wen adquiriu Ho-nei, que
os Tcheou lhe cederam, em 635, em paga de sua
proteção contra os Ti. Tsin pôde, desde então, in-
tervir nas querelas dos domínios de Tcheng e de
Song e equilibrar em Ho-nan a influência crescen-
te dos príncipes de Tch'ou. Enquanto isto, os pro-
gressos de Tsin sobre o médio rio Amarelo ten-
diam a isolar os domínios centrais dos Ti Verme-
lhos. Estes, e particularmente um de seus grupos,
os Ti Gigantes, exercem, durante muito tempo,
uma forte pressão sobre os domínios do Leste.
Eles tinham atacado Song na metade do século
VIII, Ts'i, Lou e Wei no início do século Vll(154).
Desde 660, o duque Hien, aproveitando a rivalida-
de entre Ti Brancos e Ti Vermelhos, atacou estes
últimos em seu refúgio nas montanhas de Chan-si
do Leste (Tong chan)(155). A conquista definitiva
ocorreu no princípio do século VI (de 600 a 592)
e foi precedida por um acordo com os Ti Brancos.
Um dos chefes dos Ti Vermelhos tinha então, por
mulher uma princesa de Tsin (156). Depois desta
vitória, o Estado de Wei tornou-se uma dependên-
cia de Tsin. Faltava, ainda, apropriar-se das pas-
sagens do norte em direção a Tche-li. A primeira
etapa foi a conquista da parte alta da bacia de
T'ai-yuan em Chan-si médio. Ela se realizou em
540. "Para lutar nessas paragens estreitas e es-
carpadas " contra soldados de infantaria, Tsin teve
que reformar sua tática e obrigar, com alguma
dificuldade, seus nobres guerreiros a andarem a
Pé(157). Ele venceu, tornando-se senhor da grande
bacia pantanosa com campos cobertos de salitre
(Ta lou), onde a tradição colocava a capital da di-
nastia Hia. Dali partiu, na metade do século V,
para conquistar o reino bárbaro de Tai - região
de Ta-t'ing - cujos príncipes tinham um cachorro
como ancestral. Essa região, rica em cavalos, con-
trolava todas as passagens para as planícies altas
de Tche-li. A conquista foi obra de um descenden-
te de Tchao Tch'ouei, Tchao Siang-tseu, cuja irmã
havia desposado o príncipe de Tai. Esta conquista
havia sido preparada, desde o princípio do século
VI, por uma ponta introduzida ousadamente ao
norte, no território dos Sien-yu (Ti do norte)(158).
A expedição, iniciada em 529 por um simples ata-
que, continuou no ano seguinte, com a ajuda de
um exército munido de material de sítio. Prosse-
guindo-se em 526, ela só terminou em 519. Tsin
entrava, então, em contato com os povos da es-
tepe setentrional (159).

O domínio sobre as regiões do Oeste foi
mais difícil de se conquistar e, sobretudo, de se
conservar. Desde o início do século VII, Tsin to-
cava o rio, construía praças fortes em suas mar-
gens, procurando atingir a margem direita (160).
Ele travava relações com os Jong do sul do Wei,
enquanto que, ao norte da bacia do Wei, pratica-
va uma política de aliança com os senhores de
Leang. Estes, estabelecidos no ângulo formado
pelo rio e o Lo, tentavam progredir para o norte,
em direção à grande embocadura setentrional do
Houang-ho. Levantavam muralhas e construíam
cidades sem ter gente suficiente para guarnecê-
las (161). Os distúrbios provocados pela sucessão
do duque Hien, que enfraqueceram Tsin entre 651
e 634, impediram-no de se apropriar desta presa
fácil. Ela coube ao Estado de Ts'in que Tsin, pre-
cisamente, procurava cercar na bacia do Wei.
Tsin, vencido por Ts'in numa batalha travada
nesse ponto vital, em que o rio Amarelo, rece-
bendo o Wei e todos os seus afluentes, toma a
direção oeste-leste, teve que entregar seus terri-
tórios a oeste do rio (645).

Ts'in, avançando inicialmente até o desfi-
ladeiro de Long-men, apropriou-se, em 640, da re-
gião de Leang. Entre os dois Estados, agora em
contato, começou uma rivalidade que, interrom-
pida por tréguas falsas, devia durar até a funda-
ção do império, em proveito de Ts'in. Cada um
dos dois domínios rivais procurava estabelecer
sua autoridade sobre os Bárbaros, com a supre-
macia cabendo àquele que se assegurava momen-
taneamente de sua aliança. Mas, desde 626, Ts'in
tomou vantagem e, em 623, o duque Mou de Ts'in
tornava-se o "chefe dos Jong do Oeste" (162). Tsin
retomou terreno no início do século VI, reunindo
os Ti Brancos sob sua autoridade (163). Os prínci-
pes de Ts'in, finalmente, venceram quando, avan-
çando nos vales do King e do Lo, conseguiram se
apropriar, no século IV, dos planaltos de Chen-si,
que dominavam, a oeste, o curso norte-sul do
rio (164). Tchao, herdeiro de Tsin em Chan-si, per-
deu então, definitivamente, os territórios da mar-
gem direita do Houang-ho. Suas tentativas para
dominar os Bárbaros Hou fracassaram, embora
ele tenha tentado adotar seu método de combate
e criado um corpo de arqueiros a cavalo (165).
Assim Tsin, que inicialmente ocupava ape-
nas um pequeno cantão da montanha, chegou a
se apropriar de todo Chan-si, conquistando-o pou-
co a pouco, ocupando, primeiramente, os canais e
as extremidades dos vales. Graças a parentescos,
a alianças, a um trabalho de penetração que se
completou pela força, ele conseguiu reunir em
seu redor grupos bárbaros, explorando suas divi-
sões, para anexá-los e assimilá-los.

A história dos Grandes Estados feudais é
semelhante à de Tsin. Todos eram, no início do
período histórico, pequenos domínios reclusos
em regiões de acesso difícil. Os Estados que obti-
veram mais êxito foram os domínios periféricos.
Eles podiam tomar a seu serviço as grandes mas-
sas bárbaras espalhadas nas estepes, nas monta-
nhas, nas zonas pantanosas. Eles as cercaram em
redor da grande bacia do rio Amarelo. Sua ação
preparou a unidade chinesa.

Os grandes Hegemons do século VII são
chefes de fronteira. Enquanto que, com a ajuda
dos Jong e dos Ti, Tsin e Ts'in criavam grandes
Estados em Chan-si e em Chen-si, Ts'i fazia de
Chang-tong um vasto domínio, procurando agru-
par, ao norte e ao sul, os Bárbaros marítimos e
conquistando os montanheses do promontório de
Kiao-tcheou. Ao sul, trabalhando a leste e a oeste,
apoderando-se dos pântanos do Houai, das mon-
tanhas de Sseu-tch'ouan e mesmo das de Yun-
nan, Tch'ou reunia os Man e os Yi em redor de
Hou-pei e, pelos vales altos do Han e do Houai,
comprimia com mais força os domínios centrais
de Ho-nan. Entre esses últimos, apenas um, o de
Song, pôde, por um momento, pensar em se tor-
nar um Estado poderoso. Ele estava em contato
com os Bárbaros do Houai. No início do século
VII, procurou captar sua força, a fim de exercer a
hegemonia.

Exercer a hegemonia era comandar, como
senhor, os domínios centrais. O objetivo de todos
os Hegemons era dominar o Ho-nan ocidental. Ali
estava o coração da China antiga. Ali se formou
a nação chinesa. Região recortada, mas de aces-
so relativamente fácil, cujos vales se irradiam
para todos os orientes, região intermediária entre
os planaltos de loess que isolavam vales fecha-
doà e as planícies aluviais meio alagadas, reta-
lhadas pelos pântanos, Ho-nan, foi, inicialmente,
dividido entre domínios minúsculos e tribos bár-
baras fracas. Em redor, pm regiões mais amplas
e, sem dúvida, com populações menos densas e
mais móveis, formaram-se grandes Estados, cres-
cendo, no princípio para o exterior, procurando
(viu-se pelo exemplo de Tsin) impedir as comuni-
cações de seus rivais com os Bárbaros, esforçan-
do-se mutuamente para se governar, exercendo,
uns sobre os outros, uma pressão por trás, exer-
cendo todos uma pressão convergente sobre os
domínios centrais: todos procuravam conquistá-
los. Assim se realizou um amálgama. Enquanto
que no centro se criava a nação chinesa, na peri-
feria erigiam-se Estados que, pretendendo anexar
o centro da China, acabaram, eles também, tor-
nando-se Chineses.

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