Deuses e chefes masculinos

Os primeiros passos do poder indivi-
dual e da hierarquia datam da épo-
ca em que reinou, por algum tempo,
o direito matriarcal. O tema das
Grandes Avós, das Rainhas-Mães,
ocupa um lugar importante na mi-
tologia chinesa. Toda raça senhorial descende de um
Herói, mas é à Mãe do Herói que se dedica a venera-
ção maior. Nada, na cidade feudal, é mais sagrado do
que o templo da Avó da raça. Os mais belos dos hinos
dinásticos são cantados em sua honra(419).
Entretanto, a organização feudal repousa no re-
conhecimento do privilégio masculino. Parece-nos que
somente os príncipes, de pai para filho, comandam as
estações; somente eles são juizes e mantêm a con-
córdia entre os homens. Mas temas diferentes, júri-
dicos ou míticos, deixam entrever que os atributos
mais arcaicos da autoridade do príncipe, antes de per-
tencerem a um chefe masculino, foram detidos por
um casal de príncipes, onde a esposa não teve, inicial-
mente, o papel mais apagado.

De sua cidade e por simples proclamações men-
sais, o Chefe, senhor do calendário, determina esta
colaboração dos homens e da natureza, realizadas,
outrora, pelas núpcias equinocias dos Lugares-Santos.
Tal é a teoria ritual. Mas os Ritos afirmam, por outro
lado, que o maior negócio de Estado é o casamento
do príncipe (420). A ordem do mundo e da sociedade de-
pendem dele. O universo desregula-se quando a união
entreo rei e a rainha não é perfeita. Se um e outra
ultrapassarem seus direitos, a Lua ou o Sol se eclip-
sa. "O Filho do Céu dirige a ação do principio mas-
culino (Yang), sua mulher, a do principio feminino
(Yin)(421)." Sua harmonia é indispensável. Um rei não
é nada sem sua rainha, um senhor não é nada sem sua
dama. Os sacrifícios não são válidos se não forem ce-
lebrados por um casal de esposos. O principio de opo-
sição necessária dos sexos é reforçado pelo principio
que exige sua colaboração (422). Um chefe (no Estado
ou na família) não pode ficar sem mulher. Com efeito,
a vida sexual interessa à ordem universal. Ela deve ser
regulada minuciosamente. Quando a Lua ficar redonda
e estiver voltada para o Sol, o rei e a rainha devem se
unir(423). Ora, a lua cheia é um equivalente ritual do
equinócio. A união do chefe e de sua mulher não tem,
para o pensamento feudal, menos poder do que tive.
ram, em outro meio, as núpcias coletivas das festas
federais, que se celebravam nos meses do equinócio
do outono e da primavera. A autoridade do príncipe
substituiu a do Lugar.Santo. Ele cumpre sua tarefa ce-
lebrando, em tempos regulares, hierogamias fecundas.
Ele parece ser o único senhor. Com efeito, o pensa-
mento jurídico concede ainda à mulher um certo poder,
mas que propriamente não lhe pertence. A rainha, di-
zem, não possui senão um reflexo da autoridade mari-
tal. A Lua obtém sua luz do Sol, inicialmente, entre-
tanto, o poder foi detido por um casal de príncipes.
Uma fórmula mostra-o bem. O Chefe nunca diz que é
o pai do povo. Ele pretende ser "o pai e a mãe". Isto
é reconhecer que ele concentrou a autoridade que,
outrora indivisa, pertencia a um casal.

Sozinho e em sua cidade, o príncipe exerce o
poder de juiz e de pacificador dos conflitos. Os deba-
tes judiciários, aos quais preside, são combates de
imprecações que têm um aspecto de justa. Os torneios
judiciários realizavam-se, habitualmente, na cidade e
sobre o altar do Solo. Entretanto, os processos mais
graves deviam ser julgados (em Lou, pelo menos) nas
margens do rio onde, com o auxilio de justas dança-
das, celebravam-se também as festas primaveris (424).
Por outro lado, uma mesma palavra designa as queixas
processuais dos litigantes e a ladainha das justas
amorosas(425). Um Fundador, o Ancestral dos prín-
cipes de Yen, é célebre como justiceiro. Os debates,
aos quais presidia, eram disputas em versos, tendo
como adversários rapazes e moças. Suas sentenças
não eram nunca pronunciadas na cidade, sobre um
altar do Solo, mas ao pé de uma árvore. Esta, durante
longos séculos, foi venerada - tanto como o juiz. Era
provavelmente a árvore mais sagrada de um Lugar-
Santo. A sua sombra, o Grande Ancestral de Yen pre-
sidia às festas sexuais que traziam a paz e a boa
ordem. Este herói, na verdade, tinha um título signifi-
cativo, aquele de Grande Mediador(426). O mesmo
título era, nos tempos feudais, usado por um funcio-
nário encarregado de presidir "às reuniões nos cam-
pos" que a sabedoria do príncipe tolerava, dizem, no
segundo mês da primavera (equinócio). Ele presidia
também certas cerimônias nupciais. O mesmo título
é ainda atribuído a um herói, Kao-sin, que é um dos
primeiros soberanos chineses. Homens e mulheres
iam celebrar a festa de Kao-sin em pleno campo e,
precisamente, no dia do equinócio da primavera. Não
era, dizem, uma festa popular. Limitava-se a pedir
crianças para a casa reinante. Kao-sin merecia a con-
fiança que nele se depositava. Outrora, duas de suas
mulheres tinham dado à luz um Fundador de linhagem
real. É verdade que uma havia concebido pousando os
pés sobre a pegada de um gigante, a outra depois de
um banho, de uma justa e de ter comido um ovo, e
todas as duas no meio dos campos. Admitiu-se, mais
tarde, que o Céu era o verdadeiro pai destes Filhos do
Céu. Entretanto, como para as Mães da raça, cons-
truiu-se para Kao-sin um templo, que lhe fora dedicado
por ter sido o Mediador Supremo(427). O estudo des-
tes dados mostram que o príncipe, como o Lugar-Santo,
é o autor de uma concórdia fecunda. Ele a recria perio-
dicamente, unindo-se numa união santa a sua mulher.
Ele deve seu poder a um Herói Fundador. Este último
presidia, outrora, às núpcias coletivas das festas das
estações. Mas nunca presidia só. Perto de sua mulher,
a Grande Avó, ele tinha um papel subordinado.
Os homens passaram ao primeiro plano quan-
do souberam obter a aliança do Lugar-Santo por outros
processos além do das núpcias humanas.

As justas sexuais acabaram sendo substituídas
por danças onde só figuravam homens. Existiu, outro-
ra, uma dança do faisão. Como camponeses e cam-
ponesas, faisoas e faisões dançavam na primavera de
cada ano. Estas danças visavam à multiplicação da
espécie. Elas preludiavam os acasalamentos. Como
nas festas rurais, eram as fêmeas que, com seus can-
tos, chamavam os machos. Elas tinham a iniciativa.
Talvez mesmo, num momento determinado, a dança
dos faisões fosse uma dança feminina; as mulheres
de todas as épocas tomaram os adornos dos faisões;
algumas traziam também seu nome. Finalmente, foram
os machos que desempenharam o papel principal. Suas
danças, em lugar de prover a prosperidade da espécie,
tiveram, então, a finalidade de regular as manifesta-
ções do trovão. Este, que se esconde no inverno, deve
se fazer ouvir desde que começa a primavera. Mas é
preciso, inicialmente, que os faisões "cantem seu
canto e reproduzam o toque de um tambor com suas
asas". Eles criam, assim, o trovão. Como também são
seu emblema. O trovão é faisão. Somente, nos tempos
feudais, viu-se nele, não um par de faisões dançarinos,
mas um faisão macho. Foi assim que em Tch'en-ts'ang,
na região de Ts'in, adorava-se um faisão macho que
vinha pousar à noite ao pé de uma pedra sagrada.
Ouvia-se, então, o ribombar do trovão. A pedra que o
atraía era uma faisoa metamorfoseada. Fora, inicial-
mente, uma jovem que aparecera ao mesmo tempo
que um rapaz. Os dois viraram faisões. Enquanto que
O macho tornou-se deus, a fêmea, por outro lado, foi
Petrificada e dizia-se que somente aquele que se apo-
derasse do macho, conseguiria tornar-se rei (428).
Um mito análogo mostrará ainda melhor como
a autoridade masculina acabou por se impor. Nos tem-
pos em que o mundo tinha necessidade de um Herói
para acomoda-lo, um faisão dançarino apareceu em
Yu chan. Yu chan é um monte venerável onde se ia
procurar as plumas de faisão que eram usadas pelos
dançarinos. É também sobre esta montanha santa que,
por uma metamorfose que se seguiu a um sacrifício,
Kouen transformou-se em urso. Kouen é o pai de Yu,
o Grande. Quando o faisão dançarino mostrou-se em
Yu chan, Yu, filho de Kouen, foi produzido para a feli-
cidade do Universo. Ele fundou a realeza chinesa.
Trouxe a paz para a Terra e para as Águas. Estas eram
obras de um demiurgo. Só são realizadas dançando.
Yu, o Grande, na verdade, como o faisão de Yu chan,
era um dançarino. Ele inventou mesmo um passo céle-
bre. Ele dançou, portanto, para reduzir ao normal as
enchentes diluvianas. Ele dançou sapateando sobre as
pedras. Sabe-se que existia na China uma região onde
rapazes e moças sapateavam nas pedras durante as
festas, quando atravessavam a vau os rios aumenta-
dos pelas enchentes da primavera. Eles produziam,
com seu sapateado, uma espécie de movimento des-
contínuo, atraindo, assim, a chuva que o trovão acom-
panha e anuncia. E sabia-se, na época feudal, que,
para se obter chuvas bem regulares, bastava executar
a dança de Chang-yang. Ela também era dançada por
casais de jovens. Eles deviam agitar seus ombros
lcomo os faisões que provocavam o ribombar do tro-
vão, agitando suas asas. Deviam ainda se suster num
pé só, pois o Chang-yang é um pássaro divino que só
tem uma pata (o mesmo se dava com o faisão dança-
rino que apareceu em Yu chan). Yu, o Grande, quando
dançava seu passo, também saltitava, deixando arras-
tar uma perna para trás. Ele dançava, pois, saltitando,
quando pôs em ordem as Águas desreguladas. Não se
conta que, como faziam os dançarinos, ele usava então
penas catadas em Yu chan, o monte sagrado freqüen-
tado pelo Urso, seu pai. Dizem que Yu imitava o urso.
Os ursos escondem-se no inverno, como faz o tro-
vão. O trovão só pode tê-los como emblemas, tanto
como os faisões. Para abrir o canal de Houan-yuan, o
chefe de Estado executou uma dança do urso. Ele
tomou cuidado de dançá-la sozinho. Somente por tê-lo
visto fazer sua obra divina, perfurando as montanhas,
batendo os pés nas pedras, sua mulher foi transfor-
mada em pedra. Petrificada, ela precisou ainda se abrir,
pois Yu lhe reclamou o filho do qual estava grávida.
Conta-se, também, que Yu fendeu sua mulher com um
golpe de sabre (429).

A dança sexual das festas camponesas trans-
formou-se em dança masculina. O homem que dança
identifica-se ao Lugar-Santo, onde toma as insígnias
simbólicas, e que dá origem ao animal-emblema. Ele
possui, como Centro ancestral, o lugar sagrado fre-
qüentado, sob forma animal, pela alma de um antepas-
sado e onde se pode obter o nascimento de um filho.
Mas, para que o Chefe, dançando, identifique-se a seu
emblema, para que se realize uma união intima entre
ele e o Lugar-Santo, é preciso que algum sacrifício
venha completar a dança. A vítima é a esposa do dan-
çarino. O Chefe alia-se ao poder sagrado e se toma
seu representante, sacrificando-lhe sua mulher.
Uma hierogamia é necessária desde que se
queira constituir um poder santo. Este é dotado de
inteira eficácia com a condição de reunir as forças
antagônicas (yin e yang) que, no mundo humano e na-
tural, opõem-se e se alternam, mas que somente são
criadoras quando se unem. Quando os Chefes apoia-
ram seu domínio, não somente no Lugar-Santo, princí-
pio exteriorizado de seu poder, mas em talismãs di-
násticos, tambores, caldeirões e armas, a fabricação
de um palladium pareceu, ela também, exigir uma
hierogamia (430).

Era, por exemplo, uma obra santa, a fabricação
de objetos de metal. Fazia-se por meio de ligas, e uns
metais, como todas as coisas, eram machos e outros,
fêmeas. Por sua união, obtinha-se objetos prestigio-
sos, cuja força se estendia aos homens, como a todos
os seres. Eles continham em si um princípio de con-
córdia universal. Também a liga e a fusão dos metais
não podiam ser obtidas a não ser segundo os ritos do
casamento.

O fole era acionado por rapazes e moças vir-
gens, em igual número. Eles davam seu sopro (isto é,
sua alma) para que a fusão se realizasse. Obtida a
fusão, batizavam o metal, jogando água sobre ele,
todos de uma só vez. Onde se produzisse uma intu-
mescência, o metal era masculino. Era feminino onde
se escavasse um buraco. O fundidor sabia então onde
tomar e como combinar os elementos antagônicos cuja
união dá uma obra perfeita. O princípio da perfeição
estava na colaboração dos sexos que haviam dado
toda sua força vital. Para acionar o fole, eram precisos
pelo menos trezentas moças e trezentos rapazes. Tre-
zentos é um total supremo. As corporações sexuais -
ocorria a mesma coisa nas festas camponesas - en-
tregavam-se inteiramente à obra sagrada.

Mas a fusão e a liga dos metais também podiam
ser obtidas se só se dedicassem à obra o mestre fer-
reiro e sua mulher. Os dois tinham apenas que se
jogar na fornalha. A fundição fazia-se imediatamente.
O sacrifício do casal, quando é um casal de Chefes,
não tem menos vigor do que as núpcias coletivas.
Nem sempre era sacrificado o casal. O mestre
fundidor limitava-se a dar sua mulher à fornalha divina
que produzia a liga. Para que este procedimento eco-
nômico fosse suficiente, bastava admitir que a divin-
dade da fornalha era do mesmo sexo que o ferreiro.
A mulher, jogada a esta divindade masculina, era-lhe
dada como esposa. Seu sacrifício era concebido como
um casamento com o deus da fornalha. Dando-lhe sua
mulher, o ferreiro, por uma espécie de comunhão divi-
na, aliava-se a seu Senhor. Este rito de união conser-
vava todo o valor de uma hierogamia. O metal resul-
tante da fundição era sempre considerado bissexual.
Os deuses tomam uma aparência masculina à
medida em que se estabelece o privilégio masculino.
O que ocorreu na fornalha divina, ocorreu também nos
Lugares-Santos.

Sob os Han, para obter uma alternação justa das
estações, limitava-se a jogar na água, em tempo ade-
quado, dois gênios da seca, macho e fêmea: Keng fou
(o Lavrador) e Niu-pa; podia-se também sacrificar, em
efígie, um casal de lavradores(431). Outrora, os se-
nhores feudais deviam pagar com sua própria pessoa.
Eles só mereciam o poder se soubessem identificar-
se às forças antagônicas que distribuem a seca e a
chuva. Para realizar neles mesmos (e na natureza) um
perfeito equilíbrio de virtudes, era-lhes suficiente viver
em pleno campo, expondo-se, ao mesmo tempo, ao sol
e ao orvalho(432). Eles preferiam, entretanto, expor
feiticeiras. Eles as faziam dançar até o esgotamento.
Em caso necessário, se a seca fosse muito forte, eles
sacrificavam a feiticeira, queimando-a (433).
As feiticeiras têm uma virtude que as tornam
poderosas. Sua força vem do fato de elas serem maci-
lentas e ressecadas. Ora, precisamente, a história nos
apresenta também, como seres ressecados, dois Fun-
dadores de dinastias reais, T'ang, o Vitorioso, e Yu, o
Grande. Os dois inauguraram seu reinado, sacrificando-
se em benefício de seu povo: um para pôr fim à seca,
outro para deter uma inundação. Eles cortaram então
seus cabelos e suas unhas e as entregaram, em pe-
nhor, a uma divindade. Do mesmo modo, para obter a
fusão dos metais, os ferreiros, em lugar de se joga-
rem na fornalha, podiam simplesmente jogar suas
unhas e seus cabelos. Marido e mulher jogavam-nos
juntos. Possuindo os penhores dados pelas duas par-
tes do casal, a divindade tinha todo o casal e sua dupla
natureza, pois dar a parte é dar o todo. Yu e T'ang, o
Vitorioso, sacrificaram-se inteiramente. O deus, no
entanto, tomou apenas a metade. Eles só ficaram meio
ressecados. Vê-se porque Yu, o Grande, saltitava e
dançava seu passo arrastando uma perna: era hemi-
plégico. O Passo de Yu não é senão a metade de uma
dança sexual. O sacrifício de Yu não é senão a me-
tade de um sacrifício. O sacrifício completo teria sido
o de um casal - como fora o dos fundidores, enquan-
to a divindade da fornalha não foi concebida como
masculina. T'ang sacrificou-se na Floresta das Amo-
reiras (Sang-lin), onde rapazes e moças encontravam-
se para as justas. Yu, o Grande, sacrificou-se em Yang-
yu. Yang-yu é o lugar-Santo onde o Conde do Rio tem
sua capital (Ho-tsong), mas o Conde do Rio é casado
e mesmo o nome que tem (Ping-yi) foi, inicialmente,
o de sua mulher. Se Yu sacrificou-se sozinho, foi, tal-
vez, porque seu sacrifício data de um tempo em que
a deusa sobrepujava o deus. O deus prevaleceu. Ele
acabou por tomar da deusa até mesmo seu nome.
Então, os sacrifícios ao rio, sempre inspirados pela
idéia da hierogamia, tiveram as mulheres por víti-
mas (434).

O rio, na época feudal, era venerado principal-
mente em dois lugares: em Lin-tsin e em Ye. Em Ye,
na região de Wei, ele recebia um culto popular presi-
dido pelas feiticeiras e pelos invocadores. Cada ano
era escolhida uma bela jovem. Alimentada e paramen-
tada como uma noiva, colocavam-na num leito nupcial.
Este, posto para flutuar, era arrastado até um turbi.
lhão, onde submergia. A eleita ia assim "casar-se com
o Conde do Rio" (435). O culto de Lin-tsin foi também,
sem dúvida, um culto popular. Mas em 417 a.C., os
senhores de Ts'in (Chen-si) conquistaram a região.
Eles anexaram o Lugar-Santo. Uma de suas maiores
ambições era arrancar, de seus vizinhos de Chan-si,
a proteção do deus do rio. Eles deviam obter sua
aliança, menos para sua região do que para sua raça.
Cada ano, casavam uma princesa de seu sangue com
o Conde do Rio (436).

As danças sexuais e as núpcias coletivas pro-
porcionaram uma força augusta aos Lugares-Santos.
Esta força, depois, foi captada por uma raça de Chefes.
Sacrifício do casal, meio sacrifício do Fundador, sacri-
fício da esposa, sacrifício das virgens servem para
concluir uma aliança e consistem numa união. O Lugar-
Santo, mesmo quando se torna um Centro ancestral e
que sua divindade toma traços masculinos, conserva,
graças às hierogamias, seu poder complexo. Do mes-
mo modo, na época em que se estabelece o privilégio
masculino, o Chefe continua provido de um comando
duplo. Seu poder estende-se às forças antagônicas que
constituem o universo, Yin e Yang, Céu e Terra, Água
e Fogo, Chuva e Seca... Mas esta autoridade mista
só se concentrou nele mediante os mais terríveis
sacrifícios.

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